Críticas de Michelle a Flávio expõem divergências internas e geram desconforto no PL

Foto: Reprodução/Redes Sociais


A exposição pública de divergências entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) gerou desconforto entre integrantes do Partido Liberal (PL). Dirigentes da legenda avaliam que Michelle tem buscado um protagonismo considerado inadequado neste momento e que ultrapassou limites ao tornar públicas discordâncias sobre as articulações políticas do partido no Ceará.

Embora reconheçam a importância de Michelle na aproximação do PL com o eleitorado feminino e evangélico, integrantes da sigla afirmam, sob reserva, que a ex-primeira-dama tem adotado uma postura excessivamente rígida em questões ideológicas, o que, na avaliação deles, dificulta a construção de alianças eleitorais.

Segundo dirigentes do partido, as negociações e alianças em andamento contam com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo as articulações no Ceará, que se tornaram o principal foco do embate interno.

A crise ganhou força após Michelle publicar vídeos nas redes sociais criticando decisões do partido no estado. Em cerca de 26 minutos de gravação, divulgados nesta quarta-feira (24), ela questionou o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense e defendeu o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) na disputa estadual.

Michelle também manifestou apoio à candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL) ao Senado. A proposta diverge dos planos do presidente estadual da legenda, deputado federal André Fernandes, que defende a candidatura de seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes.

Nos vídeos, a ex-primeira-dama relatou ainda um desentendimento com Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o senador teria sido ríspido durante uma conversa telefônica e sugerido que ela se afastasse das decisões partidárias.

Michelle também afirmou que algumas decisões dentro da legenda acabam reduzindo o espaço das mulheres na política. Ao defender a candidatura de Priscila Costa, questionou por que a parlamentar deveria abrir mão da disputa e sugeriu que existe resistência à participação feminina em determinadas negociações.

Aliados da presidente do PL Mulher afirmam que a divulgação dos vídeos foi uma reação a ataques e informações que ela considerava falsas. Segundo esse grupo, Michelle decidiu se manifestar publicamente para apresentar sua versão dos fatos e esclarecer as divergências internas.

Apesar do desgaste, a orientação entre lideranças do PL é evitar o agravamento da crise. Nos bastidores, aliados recomendam cautela ao senador Flávio Bolsonaro e defendem que eventuais divergências sejam resolvidas internamente para evitar impactos junto ao eleitorado conservador, especialmente entre mulheres e evangélicos, segmentos considerados estratégicos para a legenda.


Com informações da CNN

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