Casos de ciguatera crescem 60% no RN em 2026; Sesap alerta para risco no consumo de peixes

Foto: Brunno Rocha/InterTv Cabugi


A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) registrou aumento de 60,2% nos casos de ciguatera no estado em 2026. Até 11 de junho, foram notificadas 141 ocorrências da intoxicação alimentar, número que já supera os 88 casos registrados durante todo o ano de 2025.

Desde 2022, o Rio Grande do Norte acumula 259 casos notificados da doença, distribuídos em 46 surtos, com dois óbitos registrados. Do total de notificações, 113 foram confirmadas, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados pela ciguatoxina, uma neurotoxina produzida por micro-organismos marinhos. De acordo com a Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (Suvige), a substância não altera a cor, o sabor ou o cheiro do pescado e permanece ativa mesmo após o cozimento, congelamento ou salga, o que torna impossível eliminá-la por métodos tradicionais de preparo.

O levantamento da Sesap mostra que 64% das intoxicações ocorreram após o consumo do peixe em ambiente doméstico. Os outros 36% dos casos foram registrados após refeições em restaurantes e estabelecimentos comerciais.

A espécie Bicuda, também conhecida como Barracuda, é a principal associada aos casos confirmados no estado, respondendo por 45,13% das ocorrências. Também aparecem entre os peixes relacionados à intoxicação a Arabaiana, Dourado, Cioba, Pescada Branca, Galo do Alto, Pargo e Sirigado.

As mulheres representam 59,3% das pessoas afetadas pela doença. A maior incidência ocorre entre adultos de 20 a 59 anos, faixa que concentra 61,95% dos registros, seguida pela população com 60 anos ou mais, responsável por 23,9% dos casos.

Natal concentra 52,21% das notificações de ciguatera no Rio Grande do Norte. Na sequência aparecem os municípios de Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.

Sintomas

Os primeiros sintomas da ciguatera costumam ser gastrointestinais e podem surgir entre poucos minutos e 48 horas após o consumo do pescado contaminado. Entre eles estão dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.

Os sintomas neurológicos, no entanto, são os mais frequentes e podem persistir por meses ou até anos. Entre os principais estão coceira intensa, dores no corpo, gosto metálico na boca, dormência na língua e nas extremidades e a chamada inversão térmica, quando a pessoa passa a sentir o quente como frio e o frio como quente. Também são comuns fadiga, fraqueza, tontura e dor de cabeça.

Nos casos mais graves, a intoxicação pode provocar complicações cardiovasculares, como hipotensão (queda da pressão arterial) e bradicardia (redução dos batimentos cardíacos).

Recomendações

A Sesap orienta que pessoas com sintomas compatíveis procurem imediatamente um serviço de saúde e informem se consumiram pescado nas últimas 48 horas.

O órgão também recomenda identificar a espécie do peixe ingerido e, se possível, preservar sobras do alimento congeladas para análise da Vigilância Sanitária. Outra orientação é evitar o consumo de peixes associados a episódios de ciguatera, especialmente quando forem de procedência desconhecida.


Com informações do g1 RN

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