O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa de 30% para 32%. A medida, proposta pelo governo federal, terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses, uma única vez.
Segundo o CNPE, a decisão considera o cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo e combustíveis. A mudança integra a estratégia prevista na Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que estabelece o aumento gradual da participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Com a nova composição, o impacto mais direto para os motoristas tende a ser uma pequena redução na autonomia dos veículos, já que o etanol possui menor densidade energética do que a gasolina. Na prática, isso significa que o carro pode percorrer uma distância um pouco menor com a mesma quantidade de combustível.
A alteração também ajuda a explicar por que os números de consumo divulgados pelo Inmetro nem sempre correspondem exatamente ao desempenho observado nas ruas. Os testes oficiais são realizados com gasolina E22, que contém 22% de etanol, seguindo um padrão técnico que permite comparar diferentes modelos de veículos, independentemente das mudanças futuras na composição do combustível comercializado.
O governo afirma que o aumento da mistura de etanol pode contribuir para reduzir o preço da gasolina ao consumidor. No entanto, o efeito depende de fatores como a produção de cana-de-açúcar, a oferta do biocombustível e as condições do mercado.
Em períodos de menor produção ou entressafra, por exemplo, o preço do etanol pode subir, diminuindo ou até anulando o benefício econômico esperado com a maior participação do biocombustível na gasolina.
Este é o segundo aumento consecutivo no percentual obrigatório de etanol. Em junho de 2025, a mistura havia passado de 27% para 30%.
Paralelamente, o governo e representantes do setor automotivo continuam realizando testes técnicos para avaliar os efeitos da ampliação da mistura. Os estudos são considerados uma etapa importante antes de uma possível elevação para até 35% de etanol na gasolina, percentual previsto na legislação.
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