A Hapvida perdeu 91 mil beneficiários entre janeiro e maio, em um movimento que reforça os desafios da maior operadora de saúde do país para retomar o crescimento. O desempenho levou três dos principais bancos que acompanham o setor a revisar suas projeções e adiar a expectativa de recuperação da companhia, diante da continuidade da perda de clientes.
Os números mostram que a operadora segue na contramão do mercado de saúde suplementar. Enquanto os planos de saúde registraram saldo líquido de 136 mil novas adesões em maio, a Hapvida encerrou o mês com menos 9 mil beneficiários, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) compilados pelo JPMorgan.
No acumulado de 12 meses até maio, a base de clientes da companhia encolheu 1,5%, para 8,5 milhões de beneficiários. Com isso, sua participação de mercado recuou cerca de 0,5 ponto percentual, para 16,1%, de acordo com levantamento do banco.
A perda de beneficiários contrasta com o momento de retomada do setor, que voltou a registrar expansão após um período de desaceleração. Para analistas, a dificuldade da Hapvida em acompanhar esse movimento levanta dúvidas sobre o ritmo da recuperação operacional da empresa, que desde a fusão com a NotreDame Intermédica vem implementando medidas para reduzir custos, elevar a rentabilidade e reorganizar sua carteira de clientes.
Em relatórios recentes, três instituições financeiras que acompanham a companhia passaram a projetar uma recuperação mais lenta do que a esperada anteriormente. A avaliação é que a continuidade da saída de beneficiários pode limitar o crescimento das receitas, mesmo em um cenário de melhora das margens operacionais.
Embora a estratégia da empresa priorize contratos mais rentáveis e maior disciplina na precificação, os analistas observam que a perda de escala em um mercado em expansão pode pressionar a participação da companhia e postergar uma retomada mais consistente do crescimento.
Com informações da Bloomberg Línea