Uma ação trabalhista que tramita na Justiça do Trabalho do RN reúne relatos de ofensas raciais, humilhações, violência psicológica, acusações de furto e episódios que, segundo a autora, transformaram o ambiente de trabalho em um verdadeiro pesadelo. (Assista ao vídeo abaixo)
Uma empregada doméstica acusa sua ex-patroa de submetê-la, durante mais de três anos, em Natal, a uma rotina de constrangimentos que, segundo a reclamação trabalhista, ultrapassava qualquer limite de dignidade.
O processo é acompanhado por vídeos, documentos, boletim de ocorrência e testemunhas que, de acordo com a trabalhadora, registram muitos dos episódios narrados.
A vítima afirma que trabalhou na residência entre 6 de julho de 2022 e 26 de setembro de 2025. Na reclamação, a defesa descreve o período como um "cenário de horror e degradação da dignidade humana", marcado por insultos diários, tratamento discriminatório e perseguições constantes.
Entre as acusações mais graves está a de que era chamada pela empregadora de "macaca fedorenta", "negra imunda" e "negra mentirosa". A ação afirma que as ofensas eram frequentes e acompanhadas de comentários depreciativos sobre sua cor de pele e escolaridade.
Um dos episódios narrados foi registrado em vídeo e integra o conjunto de provas apresentado à Justiça. Segundo a trabalhadora, a empregadora derramou, propositalmente, um litro de leite no chão da cozinha e determinou que ela limpasse o local enquanto a chamava de "macaca vagabunda". A autora afirma que a cena foi presenciada por testemunhas.
A reclamação sustenta ainda que a empregada era constantemente humilhada com palavras como "secretina" ("secretária" + "cretina"), "vagabunda", "preguiçosa", "empregada velha", "nojenta" e "sebosa", muitas vezes diante de outras pessoas.
Outro episódio descrito na ação relata que a empregadora teria arrombado o quarto utilizado pela trabalhadora, revirado seus pertences pessoais e jogado suas roupas no chão durante uma busca por objetos supostamente desaparecidos. A autora afirma que o episódio representou uma das maiores humilhações sofridas durante o contrato.
A trabalhadora relata que foi acusada, em três momentos distintos, de furtar dinheiro e objetos da residência, acusações que nunca foram acompanhadas de qualquer prova.
Segundo a vítima, também houve tentativas de agressão física. Ela afirma que, em uma das ocasiões, a empregadora precisou ser contida para evitar que a situação evoluísse para violência.
As alegações também constam do Boletim de Ocorrência nº 00112656/2026. Na reclamação trabalhista, a vítima pede indenização por danos morais e o reconhecimento das violações aos seus direitos durante o vínculo empregatício.
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