| Jovens estão trocando bebidas por remédios. Foto: Imagem ilustrativa/internet |
Cada vez mais jovens têm buscado alternativas ao álcool para lidar com a vida social, e isso tem chamado a atenção de especialistas em saúde mental e dependência. Em vez das bebidas tradicionais, parte dessa faixa etária tem recorrido a medicamentos usados no tratamento de ansiedade e a outras substâncias compradas, em alguns casos, fora do circuito legal, numa tentativa de reduzir a timidez, controlar sintomas físicos do nervosismo e sair sem a ressaca do dia seguinte.
O fenômeno ganha força principalmente entre integrantes da Geração Z, que vem sendo associada a uma mudança de comportamento em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. Além da busca por uma rotina considerada mais “saudável”, redes sociais têm funcionado como vitrine para esse tipo de prática, com vídeos e relatos que apresentam essas substâncias como uma espécie de atalho para socializar com mais segurança e menos desconforto.
Especialistas, porém, alertam que a aparente solução pode esconder riscos importantes. O uso de medicamentos sem acompanhamento médico, sobretudo em doses inadequadas ou com combinações improvisadas, pode provocar dependência, aumento da ansiedade, insônia e até efeitos graves em alguns casos. A preocupação também cresce porque muitos jovens passam a acreditar que não conseguem participar de encontros, festas ou até compromissos de trabalho sem o auxílio dessas substâncias.
Entre os produtos que vêm chamando mais atenção está a pregabalina, além de betabloqueadores como o propranolol. Embora esses remédios tenham uso legítimo em tratamentos específicos, seu consumo recreativo ou sem prescrição pode ser perigoso, especialmente quando comprado em fontes não regulamentadas. Há ainda relatos de jovens que começam usando essas substâncias apenas em situações sociais e depois ampliam o consumo para o dia a dia.
Pesquisadores ouvidos na reportagem destacam que a tendência reflete não só a ansiedade social, mas também o impacto de fatores recentes, como o isolamento da pandemia, que pode ter dificultado ainda mais a retomada da convivência presencial para parte dos jovens. Ao mesmo tempo, cresce o mercado informal desses medicamentos na internet, alimentado por influenciadores e por uma percepção equivocada de que remédios prescritos seriam automaticamente seguros.
O debate, agora, vai além da comparação com o álcool. Para os especialistas, a questão central é entender por que tantos jovens passaram a ver a química como condição para participar da vida social. Em vez de uma solução simples, o quadro expõe uma mistura de ansiedade, pressão social, desinformação e acesso facilitado a substâncias que podem trazer consequências sérias à saúde.