Brasil registra recorde de desaparecimentos em 2026 coom influência de golpes online e dívidas de jogos

Cresce o número de pessoas desaparceidas no Brasil. Foto: Reproduçção/internet



O Brasil vive um momento crítico em relação ao desaparecimento de pessoas. No primeiro semestre de 2026, foram registrados 43.910 casos, o maior número para um período de seis meses na última década, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).  Isso representa um aumento de 23% em comparação ao mesmo período de 2016, quando foram 35.663 registros.  A média diária saltou de 196 para 242 desaparecimentos, o que equivale a aproximadamente 10 pessoas sumindo a cada hora no país.

São Paulo lidera em números absolutos, com mais de 10 mil casos no semestre, seguido por Minas Gerais (4.864), Rio Grande do Sul (4.037), Rio de Janeiro (3.364) e Paraná (3.054).  Em termos proporcionais, o Distrito Federal apresenta a taxa mais alarmante: 65,89 casos por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional de 35,14.  

Outro dado que chama atenção é que três em cada dez pessoas desaparecidas têm entre 0 e 17 anos, evidenciando a vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse cenário.

Especialistas apontam que parte significativa desse aumento está relacionada a golpes praticados pela internet e ao endividamento provocado por jogos de azar online, as chamadas "bets".  A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa de São Paulo, Ivalda Aleixo, destacou que muitas adolescentes têm desaparecido após estabelecerem contatos virtuais que começam como namoros online e culminam em encontros presenciais em outras cidades ou estados, muitas vezes resultando em aliciamento ou tráfico humano.  Ao mesmo tempo, há registros de desaparecimentos voluntários motivados por dívidas contraídas em plataformas de apostas, em que a pessoa, desesperada, decide sumir para escapar de credores ou da própria família.

A Lei nº 13.812/2019, que instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, determina que todo caso seja registrado imediatamente, sem necessidade de espera, e que haja integração entre os órgãos responsáveis pelas buscas.  Ainda assim, promotoras e autoridades reforçam a necessidade de maior articulação entre Ministério Público, segurança pública, saúde e educação para reduzir o número de casos sem solução e ampliar a eficácia das localizações.  Em 2025, o Brasil registrou 63.463 pessoas localizadas, um aumento de 11% em relação a 2024, mas o número de desaparecimentos continua em trajetória ascendente.

Diante desse quadro, as autoridades orientam que as famílias procurem a delegacia mais próxima assim que perceberem que alguém saiu da rotina habitual, sem aguardar prazos.  A rapidez no registro aumenta as chances de localização, especialmente nos casos envolvendo menores de idade ou situações de risco iminente.  Enquanto isso, famílias por todo o país seguem na incerteza, mantendo viva a esperança de reencontro com seus entes queridos em meio a um dos períodos mais sombrios da história recente do país no que tange ao desaparecimento de pessoas.
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