Energia eólica transforma RN em polo de investimentos

Parques eólicos no interior do RN. Foto: José Aldenir/Agora RN



O Rio Grande do Norte consolidou-se como um dos principais territórios brasileiros para investimentos em energia renovável, com parques eólicos que já mudaram a paisagem e a economia de municípios do interior e agora projetam uma nova fronteira no Atlântico. Depois de mais de uma década de expansão dos complexos em terra, o Estado mantém a liderança na geração eólica onshore enquanto prepara infraestrutura, regras ambientais, transmissão e mão de obra para receber empreendimentos offshore.

Dados atualizados do Sistema de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram a dimensão alcançada pelo setor elétrico potiguar, com o RN entre os grandes exportadores de eletricidade do País e uma cadeia que envolve construção civil, operação, manutenção, pesquisa e serviços especializados. 

A expansão continua: em fevereiro de 2026, entrou em operação comercial a usina Ventos de São Rafael 10, com 58,5 megawatts (MW), parte do Complexo Eólico Serra do Tigre, na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba, acompanhada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) dentro da expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN).

O avanço dos parques trouxe efeitos diretos para municípios do interior. Estudo apresentado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (Senai-RN) e pelo MAIS RN identificou crescimento de atividade econômica, empregos e abertura de empresas em cidades que receberam empreendimentos eólicos, com o desafio de transformar a renda gerada em ganhos sociais permanentes. 

A próxima fronteira está no mar. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima em aproximadamente 140 gigawatts (GW) o potencial eólico offshore do Rio Grande do Norte, equivalente a cerca de 20% do potencial brasileiro estimado em 700 GW. Projetos destinados à costa potiguar estão em processo de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que analisa impactos sobre pesca, navegação, turismo, aves, tartarugas, mamíferos marinhos e ambientes recifais, entre outros fatores.

Levantamento divulgado pelo Senai-RN mostrou projetos que somavam 12,84 GW destinados ao Estado, com previsão de centenas de aerogeradores. Uma iniciativa mais próxima da etapa tecnológica é a planta-piloto prevista para o mar de Areia Branca, desenvolvida pelo ISI-ER e pela Dois A Engenharia, que se tornou o primeiro do gênero no País a obter licença prévia do Ibama, com a primeira etapa prevendo aproximadamente R$ 42 milhões para engenharia, estudos e desenvolvimento de soluções adaptadas às condições brasileiras.

Outro movimento procura resolver antecipadamente o problema do escoamento. Estudo do ISI-ER identificou 11 áreas consideradas mais adequadas para a passagem de cabos submarinos e linhas de transmissão, abrangendo cerca de 59,7 quilômetros do litoral, com rotas que poderiam suportar o escoamento de mais de 38 GW, incluindo corredores entre Touros e Caiçara do Norte, Galinhos e Macau e entre Porto do Mangue e Tibau.

É nesse ponto que o RN tenta transformar uma vantagem natural em vantagem econômica: ter vento abundante colocou o Estado na liderança da primeira onda eólica brasileira, e para permanecer nela será necessário combinar geração, transmissão, licenciamento, portos, fornecedores, pesquisa e formação profissional.
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