Diálogos atribuídos ao banqueiro, Daniel Vorcaro, dono do banco Master, revelam que ele afirmou ter financiado voos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
“Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”, afirmou o banqueiro a Carneiro.
Ele ainda ameaça expor o deputado federal: “Vouch (sic) mandar soltsr isso”, nesse trecho, o banqueiro parece ter errado a grafia da frase: “Vou mandar soltar isso”. Nas mensagens Vorcaro não esclarece quantos voos pagou e por qual período. As informações são do ICL Notícias.
Conforme reportagem do ICL Notícias, no segundo turno de das eleições de 2022, Nikolas Ferreira usou um jato de Daniel Vorcaro para fazer campanha para Jair Bolsonaro por cerca de 10 dias, passando por 9 estados e o Distrito Federal.
Ele estava junto com o pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. O uso tinha sido revelado em março pela jornalista Malu Gaspar, no O Globo, e, à época, Nikolas disse que não sabia quem era o proprietário do avião, que aceitou o convite para as atividades de campanha e só “posteriormente se soube tratar-se de Daniel Vorcaro”. A PF apura se Carneiro seria um sócio oculto de Vorcaro.
O advogado Thiago Faria, que representa o deputado, afirmou que as cinco perguntas enviadas pela coluna sobre o caso são “nada a ver”. Segundo ele, “estão tentando ressuscitar esse assunto de Nikolas com jatinho e isso tá ridículo”.
Faria também negou que o deputado tenha apagado publicações. No entanto, uma postagem de Nikolas com um discurso realizado na Câmara dos Deputados, em 27 de abril de 2024, não está mais disponível entre as publicações do parlamentar.
Cobranças de Vorcaro a Nikolas
Conforme o ICL Notícias, o que não se sabia até o momento é que Nikolas era constantemente cobrado por Vorcaro pela ajuda que recebia do banqueiro. Em abril de 2024, Vorcaro e o empresário conversavam e faziam reclamações sobre postagens de Nikolas criticando a participação de integrantes do governo Lula e ministros do STF, STJ e TSE no 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres.
À época, foi anunciado que o evento era organizado pela empresária bolsonarista, Karim Miskulin, presidente do Grupo Voto, e financiado pelo empresário Alberto Leite, do grupo FS Security. Posteriormente, veio à tona que o Banco Master também havia financiado o evento.
Nikolas tomou conhecimento do encontro e passou a publicar questionamentos sobre o custeio da viagem de ministros a Londres, realizada em abril de 2024.
Ao saber das postagens, Daniel Vorcaro passou a tratar do assunto simultaneamente com três pessoas: o pastor André Valadão; Ana Mattos, funcionária do Master responsável pelo monitoramento de mídia e redes sociais; e o empresário Flávio Carneiro.
Segundo o ICL Notícias, quando Vorcaro reclamou com o empresário sobre as postagens de Nikolas, Carneiro escreveu qual era o perigo que rondava a exposição feita pelo deputado.
“Babaquice isso. Se não parar isso vai virar pauta de discussão no congresso mesmo. Eles estão usando isso para atacar os caras sem medir as consequencias”.
Carneiro e Vorcaro ainda debateram a nota pública que a CEO do Grupo Voto deveria utilizar e na qual se alega que o evento é organizado por uma empresa privada e não é mencionado que o Master estava bancando as despesas. Carneiro escreve a Vorcaro: “Acho que isso mata o tema do ponto de vista de transparência e de demanda. Além de todos veículos cobrirem os eventos dela desde sempre (Estadão cobriu os últimos 8) não existe exigência de ninguém fazer nada ostensivo, aquilo lá é uma confraria. Isso existe em todo lugar”.
Adiante, o sócio de Vorcaro ainda demonstrou preocupação com um pedido de dados para a corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que Nikolas disse que iria fazer.
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