A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou, em 15 de setembro, testes com radares capazes de calcular a velocidade média dos veículos em trechos de rodovias concedidas. O projeto-piloto será realizado em oito estados e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
Os equipamentos serão instalados em trechos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre as vias escolhidas estão as BRs 101, 163, 381 e 386, além de rodovias estaduais do Paraná e da Ponte Rio-Niterói.
O sistema funciona de forma diferente dos radares convencionais. Em vez de medir a velocidade em um único ponto, ele registra o veículo em dois locais e calcula quanto tempo foi gasto para percorrer a distância entre eles. Dessa forma, o equipamento identifica se o motorista manteve uma velocidade elevada ao longo do trecho, mesmo que tenha reduzido a velocidade perto do radar.
Durante a fase experimental, não haverá multas nem registro de infrações com base exclusivamente na velocidade média. Segundo a ANTT, a iniciativa tem finalidade técnica, educativa e experimental, e os locais deverão ser sinalizados para informar os motoristas sobre o monitoramento.
A tecnologia já foi testada anteriormente em algumas vias, como a BR-050, em Uberaba, Minas Gerais, onde o objetivo foi avaliar o comportamento dos condutores e incentivar a redução de acidentes. Em São Paulo, experiências semelhantes também produziram notificações educativas, sem aplicação de penalidades.
A possível adoção definitiva do sistema ainda depende de avaliação técnica e de adequações na legislação brasileira. Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro prevê a fiscalização do excesso de velocidade a partir da medição feita no momento da passagem pelo equipamento, e não pela média registrada em um percurso.
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