Vídeo gravado pela PF expõe conversa sobre contratos de medicamentos em Mossoró







Um vídeo registrado pela Polícia Federal em maio de 2025, dentro da sede da Dismed Distribuidora de Medicamentos, em Mossoró, no Rio Grande do Norte, tornou-se uma das peças da Operação Mederi. A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, sobrepreço, fornecimento irregular e possível desvio de recursos destinados à saúde pública. A operação foi deflagrada em 27 de janeiro de 2026 pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Na gravação, o sócio da empresa, Oseas Monthalggan Fernandes Costa, conversa com um homem identificado nos autos como “Nenen”. Em determinado momento, ao comentar uma situação hipotética envolvendo uma prefeitura, Oseas afirma: “esse prefeito é ladrão”. Na sequência, segundo a transcrição apresentada na investigação, ele menciona o então prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e fala sobre a necessidade de manter determinadas informações em sigilo.

Outro trecho trata do volume de compras de medicamentos feitas pelo município. “Nenen” orienta Oseas sobre como conversar com Poliana Rezende Dantas, então diretora financeira da Secretaria Municipal de Saúde. Na conversa, eles comparam os gastos de Mossoró com os de José da Penha: enquanto o município menor consumiria cerca de R$ 100 mil por mês, Mossoró chegaria a R$ 300 mil ou até R$ 500 mil mensais, segundo os diálogos analisados pela PF.

A Operação Mederi investiga contratos firmados por prefeituras do Oeste potiguar com empresas fornecedoras de medicamentos, especialmente a Dismed e a Drogaria Mais Saúde. De acordo com a Polícia Federal, auditorias identificaram indícios de materiais não entregues, produtos inadequados e preços acima dos valores de mercado. Na primeira fase, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em cidades como Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha; também foram apreendidos dinheiro, celulares, computadores, veículos e documentos. 

Documentos judiciais citados na cobertura do caso apontam que a Prefeitura de Mossoró pagou mais de R$ 13,5 milhões à Dismed entre 2021 e 2025. A investigação também descreve uma suposta divisão de valores em contratos: parte dos produtos seria entregue, enquanto outra parcela não seria fornecida e os recursos seriam distribuídos entre propinas, comissões e ganhos das empresas. Essas informações ainda fazem parte de uma investigação, não representam condenação definitiva e dependem da confirmação pela Justiça. 

Após a operação, a Prefeitura de Mossoró informou que suspenderia contratos e desclassificaria as empresas investigadas de licitações em andamento. Allyson Bezerra, que deixou a Prefeitura para disputar o Governo do Rio Grande do Norte, nega qualquer irregularidade e afirma que não existe prova de envolvimento pessoal dele no esquema

 Em entrevista concedida em 17 de setembro de 2026, o político disse que sua gestão implantou mecanismos de transparência e que todos os atos administrativos poderiam ser auditados. A Operação Mederi continua em andamento
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