Embaixada dos EUA em Brasília contraria Donald Trump e classifica vitória de Lula nas eleições como "definitiva"

Foto: Reprodução/ Yuri Gripas e Marcelo Camargo/ Agência Brasil 


Um relatório diplomático enviado pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ao Departamento de Estado norte-americano, na última segunda-feira (26), classificou como “definitiva” a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25). A avaliação técnica da representação diplomática destoa publicamente da postura adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que tem colocado em dúvida a lisura do pleito sem apresentar evidências.

​O documento aponta que missões de observadores internacionais, com destaque para a Organização dos Estados Americanos (OEA), atestaram a confiabilidade do processo e declararam não possuir dúvidas sobre a legitimidade dos resultados apurados. Embora o relatório reconheça falhas logísticas na comunicação da prorrogação do horário de votação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido a entraves no transporte público, o documento reforça que a medida não exerceu qualquer impacto capaz de alterar o desfecho da disputa.

​Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) destacados pela diplomacia americana, cerca de 34 mil votos foram computados após as 17h, o equivalente a apenas 0,03% do total de sufrágios. O montante é insignificante diante da vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos que garantiu o triunfo de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).

​Divergência em Washington e contestação interna

​Enquanto a embaixada americana em solo brasileiro consolida o reconhecimento institucional do pleito, Donald Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro nesta quinta-feira (29), classificando o resultado como um "constrangimento", embora tenha sinalizado intenção de dialogar com o presidente eleito.

​No âmbito nacional, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende contestar o resultado, especialmente no que tange à extensão do horário de votação. A investida, contudo, gera divergências e cautela nos bastidores do próprio Partido Liberal (PL), cujos integrantes ponderam o risco de desgaste político diante da ampla diferença de votos e da fragilidade de argumentos jurídicos para anular o pleito.

​Onda global de cumprimentos

​A manifestação da legação diplomática dos EUA corrobora o amplo endosso internacional recebido pelo governo brasileiro. Balanço oficial divulgado pelo TSE na quinta-feira (29) aponta que 107 países e 11 organismos multilaterais já cumprimentaram Lula pela vitória.

​A lista de líderes mundiais que reconheceram o resultado abrange diferentes espectros ideológicos, incluindo chefes de Estado de nações como França, Espanha, Índia, México e Rússia, além de governos conservadores e de direita, a exemplo de Itália, Chile, Peru, Equador e El Salvador. Até o fechamento do levantamento, nomes como Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei ainda não haviam enviado congratulações oficiais.


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