A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) apresentará oficialmente, na próxima quarta-feira (28), um roteiro de visitação guiada pelos vestígios históricos da antiga Penitenciária João Chaves. O presídio, marcado no imaginário potiguar sob o estigma de "Caldeirão do Diabo", deu lugar às instalações do campus da instituição de ensino na Zona Norte da capital. O lançamento do projeto ocorrerá durante o Congresso Interdisciplinar da Uern (COIN 2026).
A iniciativa é fruto de uma década de estudos conduzidos pela professora Jarileide Nasi, do curso de Turismo, no âmbito do projeto de extensão Memorial do Imaginário Potiguar. A proposta busca resgatar a memória do espaço e evidenciar o contraste histórico entre o antigo complexo penitenciário e a sua transformação em um polo de ensino superior público.
O trajeto terá duração estimada de 30 minutos e contemplará locais que ainda preservam marcas do passado carcerário, como alvenarias das galerias de celas, algumas com inscrições registradas por antigos apenados, guaritas de observação e o reservatório de água original. No levantamento geral, a pesquisa catalogou mais de 16 pontos de interesse no campus, dos quais quatro já receberam sinalização informativa para orientar o público. Após o lançamento formal, as visitas guiadas ficarão abertas para escolas, pesquisadores e a comunidade externa.
Reencontro histórico e apresentação à imprensa
A apresentação prévia do roteiro para os meios de comunicação está agendada para a terça-feira (27), a partir das 14h, e contará com um momento emblemático de reencontro com a história. O segundo-tenente reformado da Polícia Militar, Pedro Paulo da Silva, de 83 anos, retornará ao local 40 anos após ter atuado no patrulhamento do presídio.
Pai da pesquisadora responsável pelo projeto, o policial não pisava no antigo complexo desde 1986, ano em que foi feito refém durante uma rebelião. Na ocasião, ele foi atingido por disparo de arma de fogo e sofreu nove perfurações no intestino, sendo reformado no mesmo ano após sobreviver ao ataque. O militar acompanhará a imprensa e detalhará suas memórias sobre as antigas instalações do sistema prisional potiguar.
