Na véspera do último debate presidencial do segundo turno, o deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que o canal de transmissão "Exército do Lula", mantido por ele no WhatsApp e que reúne mais de 8,8 milhões de inscritos, pode ser retirado do ar ainda na noite desta sexta-feira por determinação da Justiça Eleitoral. O parlamentar declarou que a equipe jurídica atua para tentar reverter a suspensão e pediu mobilização dos seguidores nas redes sociais sem ofensas diretas.
A fala do deputado ocorre no âmbito de uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que deu prazo de 24 horas para que a Meta (controladora do WhatsApp), o Google e o X (antigo Twitter) prestem esclarecimentos sobre indícios de atuação coordenada e eventual impulsionamento pago no canal. A medida atendeu a um requerimento formulado pela coligação do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de organizar engajamento artificial para influenciar algoritmos e buscas na internet.
Em meio ao acirramento nos tribunais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou um vídeo direcionado aos integrantes do grupo pedindo a ampliação da militância digital para alcançar a marca de 10 milhões de participantes até o encerramento do pleito.
Impasse jurídico sobre a vinculação à campanha
Paralelamente às investigações sobre ações coordenadas, a defesa do presidente Lula peticionou ao ministro André Mendonça solicitando o cancelamento do registro formal do endereço do "Exército do Lula" no Sistema de Candidaturas da Justiça Eleitoral. Os advogados da campanha sustentam que a inclusão do link havia sido feita anteriormente de forma estritamente técnica para cumprir determinação cautelar de Nunes Marques e reativar a ferramenta, mas enfatizam que o espaço é gerido de forma autônoma por Janones, sem repasse de recursos financeiros, suporte logístico ou ingerência na linha editorial por parte da coligação.
O pedido respaldou-se nas novas diretrizes aprovadas pelo plenário do TSE, que definiram parâmetros objetivos, como uso de recursos materiais da candidatura ou coordenação direta de metas, para caracterizar quando canais mantidos por terceiros integram oficialmente uma campanha.
Por outro lado, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro acionou o TSE contestando a desvinculação. A oposição pede o indeferimento do pedido e requer que tanto a coligação governista quanto o gestor do canal permaneçam submetidos aos deveres e responsabilidades legais aplicáveis aos canais oficiais das candidaturas.
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