Viagem ao exterior de advogado investigado com Flávio Bolsonaro liga alerta na Polícia Federal

Foto: Reprodução/ Willer Tomaz Advogados Associados 


A viagem do advogado Willer Tomaz ao exterior ao lado da família acendeu o sinal de alerta entre investigadores da Polícia Federal (PF). Apontado como amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o jurista é um dos alvos centrais de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e descontos indevidos em benefícios previdenciários do INSS.

​Embora não pesem restrições judiciais para a sua saída do país, interlocutores da corporação temem que a permanência fora do território nacional possa indicar uma tentativa de se antecipar a eventuais medidas cautelares ou novos mandados de busca e apreensão. A apuração, instaurada no STF e sorteada sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga também o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

​Movimentação bilionária e apostas virtuais

​O foco principal da PF recai sobre possíveis esquemas de lavagem de dinheiro interligados ao setor de apostas esportivas online. Dados levantados pelas autoridades revelam que Tomaz movimentou R$ 1,3 bilhão em plataformas de apostas neste ano e cerca de R$ 5 bilhões no período anterior, valores substanciais que levantaram atípico descompasso em relação às suas atividades econômicas declaradas. Em ação na Justiça paulista, a defesa do advogado alegou que ele sofre de ludopatia (compulsão por jogos de azar).

​As apurações buscam identificar se o parlamentar Flávio Bolsonaro e o ex-governador Cláudio Castro mantinham conexões com o advogado para operacionalizar transações financeiras ilícitas e repasses via operadoras de apostas credenciadas, como a Rede Loto no Rio de Janeiro. Além disso, apura-se o vazamento de informações sigilosas relativas a processos que tramitavam no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

​Sala-cofre em hangar e contraponto

​A apreensão ocorre semanas após a PF ter localizado uma estrutura oculta com porta blindada e máquina de contar cédulas em um hangar mantido por Tomaz no Aeroporto Internacional de Brasília, no âmbito da Operação Sem Desconto.

​Em pronunciamento público e manifestações anteriores, o advogado nega veementemente qualquer irregularidade, justificando que o ambiente trata-se de um espaço de custódia técnica voltado ao atendimento regular de empresas de transporte de valores e que nenhum valor ilícito foi localizado. Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro também refutam as alegações, classificando o teor das investigações e reportagens como infundados.


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