Um incêndio de grandes proporções destruiu a prefeitura de Limoges, no centro da França, na noite deste sábado (17), após um grupo de vândalos encapuzados invadir a sede municipal e atear fogo ao edifício histórico inaugurado em 1883. O ataque ocorreu no encerramento de um ato contra o alto custo de vida e por melhorias na educação, culminando no desabamento do telhado sobre os andares inferiores e da torre do campanário, além da destruição de dois terços das fachadas do prédio.
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, confirmou a invasão e relatou que a onda de violência se espalhou pelo país, com saques, tentativas de invasão e depredações contra estabelecimentos comerciais, delegacias e outros prédios públicos nas cidades de Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha. Cerca de centenas de moradores e servidores locais acompanharam emocionados o trabalho de contenção das chamas, que exigiu mobilização de diversas equipes de bombeiros.
A jornada de manifestações deste sábado reuniu cerca de 550 mil pessoas em todo o território francês, sendo 110 mil participantes registrados apenas na capital. O balanço oficial aponta aproximadamente 400 pessoas detidas e ao menos 60 policiais feridos nos confrontos em todo o país, dos quais dois agentes precisaram ser hospitalizados inconscientes em decorrência das agressões sofridas.
A onda de insatisfação popular começou em setembro, impulsionada por protestos de estudantes secundaristas em bairros da periferia norte de Paris que cobravam mais professores e melhorias na infraestrutura escolar. Ao longo das semanas, a pauta expandiu-se e passou a canalizar duras críticas à desigualdade social, aos gastos públicos e à acentuada perda do poder de compra da população, enquanto o governo atribui a escalada do vandalismo à atuação de grupos da extrema esquerda.
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