Tifanny Abreu sofre derrotas na Justiça e fica impedida de atuar na Superliga de Vôlei

Foto: Camille Menezes/CBV



A jogadora Tifanny Abreu, oposta da equipe do Osasco, sofreu duas derrotas decisivas nos tribunais nesta sexta-feira (23), ficando oficialmente impedida de atuar nas competições nacionais de vôlei. A primeira decisão partiu do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que suspendeu a liminar favorável à atleta com base no artigo 217 da Constituição Federal. O dispositivo constitucional estabelece que o Poder Judiciário só deve analisar ações relativas a disciplinas e competições esportivas após o esgotamento de todas as instâncias da Justiça Desportiva.

Pouco depois do posicionamento do TJ-RJ, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol concluiu, por unanimidade, o julgamento do Mandado de Garantia nº 002/2026 impetrado pela defesa da jogadora. O tribunal desportivo negou o pedido da atleta, que alegava ter o seu direito ao trabalho prejudicado pela nova política de elegibilidade. Com a negação da ordem no STJD e a derrubada da liminar da Justiça Comum, Tifanny foi desfalque confirmado para a partida do Osasco contra o Mackenzie, realizada neste sábado (24), em Belo Horizonte, pela Superliga Feminina.

As ações na Justiça tiveram início após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) publicar, em agosto de 2026, uma atualização em sua política de elegibilidade exigindo a triagem do gene SRY, localizado no cromossomo Y, o que impede a participação de atletas trans na categoria feminina. A medida foi adotada pela entidade brasileira para alinhar seus critérios às novas diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Anteriormente, a regulamentação em vigor desde setembro de 2025 autorizava a presença de atletas trans desde que mantivessem níveis de testosterona no soro inferiores a 0,5 nmol/L por pelo menos 12 meses antes e durante a temporada.

Em nota oficial, a CBV confirmou que obteve a suspensão da liminar de primeira instância e reiterou que seguirá cumprindo rigorosamente todas as determinações judiciais. A entidade declarou manter o compromisso com o respeito e a dignidade de todas as esportistas, ressaltando que sua norma de elegibilidade é geral, aplicável de forma igualitária e alinhada aos organismos internacionais. Embora a atleta não pretenda recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, a defesa deve seguir buscando caminhos para a liberação da jogadora no âmbito da Justiça Comum.
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