A combinação de altas temperaturas e períodos de chuvas intensas tem provocado o aumento no aparecimento de animais peçonhentos como escorpiões, aranhas e serpentes em áreas urbanas e residenciais. O alerta é fundamentado em dados científicos divulgados pela Agência de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que compilou pesquisas sobre o tema e reforçou medidas essenciais de prevenção.
Segundo levantamento publicado na Revista Ciência Plural, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRN, a região Nordeste contabilizou 478.240 acidentes com animais peçonhentos entre os anos de 2018 e 2022. Os escorpiões representaram a grande maioria dos registros, respondendo por 72,13% de todas as ocorrências.
Do total de casos analisados na pesquisa, 83,44% foram classificados como leves e a ampla maioria evoluiu para a cura (87,63%). O estudo indicou ainda que quase 78% das picadas ocorreram fora do ambiente de trabalho, sendo as mãos e os braços os membros mais atingidos (49,40%).
Esconderijos urbanos e rurais
De acordo com a professora Juliana Silva, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFRN, espécies como o escorpião-amarelo possuem facilidade de proliferação nas cidades por procurarem locais escuros e com pouca movimentação. Caixas de esgoto, ralos, caixas de gordura, frestas em paredes e entulhos de construção civil (tijolos, telhas e madeiras) figuram entre os principais abrigos.
Nas zonas rurais, áreas litorâneas ou terrenos com vegetação densa, a atenção deve ser redobrada quanto ao aparecimento de cobras em depósitos, pilhas de lenha, dunas e locais propícios à presença de roedores.
Recomendações de segurança e primeiros socorros
Para conter a invasão desses animais no ambiente doméstico, especialistas recomendam manter quintais e jardins limpos, vedar frestas em portas e janelas, colocar telas nos ralos, além de inspecionar e sacudir sapatos e roupas guardadas antes de utilizá-los. O uso de luvas e calçados fechados também é indispensável durante serviços de jardinagem ou remoção de materiais.
Em caso de avistamento de animais peçonhentos, a orientação é manter distância e acionar os serviços municipais de recolhimento, sem tentar o manuseio direto.
Na hipótese de picada, a vítima deve procurar imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O Centro de Assistência Toxicológica do Rio Grande do Norte (Ceatox-RN) disponibiliza atendimento 24 horas para orientação de primeiros socorros e conduta médica por meio do telefone 0800 281 7005 ou pelo WhatsApp (84) 98803-4140.
