O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) aprovou por unanimidade a liberação de documentos médicos sigilosos referentes ao atendimento prestado ao ex-presidente Tancredo Neves no Hospital de Base de Brasília, em 1985. A decisão atende a um recurso movido pela família do político, que busca ter acesso integral a prontuários, lista de profissionais envolvidos e registros de procedimentos adotados durante o período de internação.
A disputa judicial teve início após recusas administrativas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), que alegavam o dever do sigilo profissional entre médico e paciente. O pedido da família se intensificou após a publicação de pesquisas históricas que levantaram questionamentos sobre a conduta médica, como a indicação de uma cirurgia de emergência e a presença de dezenas de acompanhantes no centro cirúrgico.
Os familiares e historiadores buscam esclarecer as razões pelas quais médicos da equipe receberam advertências disciplinares do CRM-DF na época, além de investigar possíveis falhas nos protocolos de pós-operatório. Tancredo Neves foi internado às vésperas de sua posse presidencial com diagnóstico de diverticulite e faleceu em 21 de abril de 1985, evento que alterou o cenário político na transição para a redemocratização do país.
As entidades de classe médica informaram que ainda aguardam a notificação oficial da decisão para adotar as providências cabíveis quanto à entrega do acervo documental. Para os representantes da família, o acesso aos arquivos arquivados há mais de quatro décadas é fundamental não apenas para dirimir dúvidas familiares sobre o tratamento ministrado, mas também para complementar o registro histórico nacional.
Tags
BRASIL
