MPT-RN investiga empresária potiguar por discriminação política em contratações após vídeo nas redes sociais

Foto: Reprodução/Divulgação 


O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN) abriu um procedimento formal de investigação para apurar a conduta da empresária Camila Rodrigues, proprietária das marcas de moda feminina Pitanga Brasil e PB Move, com atuação no município de Macaíba. A medida foi tomada após a divulgação de um vídeo em que a empreendedora afirmava que recusaria o recebimento de currículos e a contratação de profissionais que apoiassem o Partido dos Trabalhadores (PT).

​Nas imagens publicadas logo após o anúncio dos resultados do segundo turno das eleições, no domingo (25), a empresária declarou ser “totalmente intolerante” a simpatizantes da legenda e orientou que eleitores da sigla não enviassem candidaturas a vagas de suas empresas.

​Apuração de assédio eleitoral pós-campanha e penalidades

​De acordo com o procurador-chefe do MPT-RN, Gleydson Gadelha, a conduta sob investigação pode configurar assédio eleitoral e discriminação nas relações de trabalho. O órgão aponta que a fase posterior ao pleito costuma registrar represálias e o cumprimento de ameaças feitas durante o período eleitoral, o que atenta contra a liberdade ideológica, partidária e a dignidade do trabalhador.

​Caso as irregularidades sejam comprovadas, a empresária estará sujeita a sanções administrativas, que incluem multas de valores elevados, além do eventual encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral, ao Ministério Público Estadual e à Auditoria Fiscal do Trabalho para apuração de infrações correlatas.

​Balanço de denúncias e retraction da empresária

​Até o dia da votação, o MPT-RN contabilizou 42 denúncias relacionadas a possíveis atos de assédio eleitoral no estado, parte das quais motivou ações judiciais para a remoção imediata de conteúdos ofensivos na internet.

​Diante da repercussão do caso, Camila Rodrigues publicou retratação oficial reconhecendo que suas declarações foram inadequadas. Em nota enviada à imprensa, a empresária admitiu o erro ao condicionar processos seletivos a posicionamentos políticos e pediu desculpas públicas. “Reafirmo meu compromisso de que os processos de contratação das empresas sejam pautados exclusivamente por critérios profissionais, sem qualquer discriminação político-partidária”, declarou.

​O Ministério Público do Trabalho reiterou que os canais de denúncia continuam abertos no portal oficial da instituição, garantindo o sigilo dos relatos sobre discriminação ou retaliação trabalhista por motivos políticos.


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