Redução artificial da Selic pode levar dólar a R$ 7 e provocar fuga de capitais, alerta Maílson da Nóbrega

Foto: Reprodução/Rede TV


Uma intervenção para forçar a queda da taxa básica de juros (Selic) pode desencadear uma forte debandada de investidores do país e disparar a cotação da moeda americana para o patamar de R$ 6 a R$ 7. O alerta foi emitido pelo ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega durante entrevista ao programa VEJA em Foco.
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A declaração rebate a tese defendida pelo economista André Lara Resende, um dos idealizadores do Plano Real, que sugere uma reestruturação na coordenação das políticas fiscal e monetária para permitir o corte progressivo dos juros. Lara Resende argumenta que o patamar atual da Selic encarece o refinanciamento da dívida pública, e propõe a criação de um comitê conjunto para traçar as diretrizes orçamentárias e monetárias do país.

​Para Maílson, a medida gera instabilidade imediata. "No momento em que esse plano for anunciado, haverá uma fuga maciça de capitais. A demanda pelo dólar vai disparar, jogando a moeda para as alturas, perto de R$ 7", avaliou o ex-ministro, que também criticou a criação do comitê por considerar que o órgão atropelaria as prerrogativas do Congresso Nacional na elaboração do Orçamento.
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Riscos às reservas e comparação com a "Nova Matriz"

​A controvérsia também envolve o eventual uso das reservas internacionais brasileiras, hoje estimadas em cerca de US$ 350 bilhões, para conter picos de valorização do dólar durante a transição proposta. Maílson enfatizou que queimar esses recursos para bancar um corte forçado de juros fragiliza a proteção do país contra choques externos e compromete a credibilidade do Banco Central.
​O ex-ministro traçou um paralelo com a política monetária adotada no governo Dilma Rousseff, ressaltando que tentativas de tabelar juros sem convergência com as expectativas de mercado costumam resultar em disparada inflacionária e desajuste fiscal.
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Repercussão no mercado financeiro

​A proposta de Lara Resende também recebeu contestações de outros nomes de peso da economia, como Alexandre Schwartsman, Ana Paula Vescovi, Felipe Miranda e José Luis Oreiro. O consenso entre os críticos é de que a mudança traria severos riscos de inflação, desvalorização cambial e deterioração das contas públicas, sustentando a manutenção da postura cautelosa do Banco Central diante do cenário incerto.
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