Uma tecnologia inovadora desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) busca solucionar um problema frequente enfrentado por comunidades vizinhas a complexos de geração de energia eólica: o impacto do som repetitivo das turbinas sobre o descanso noturno. O projeto, liderado pelo pesquisador Felipe Neves e gerido pela startup Jupitera, incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital da instituição, introduz uma abordagem voltada ao conforto acústico residencial sem interferir na operação dos aerogeradores.
O equipamento em desenvolvimento foi batizado de PER (Perturbador de Envelope Rítmico) e atua diretamente no interior das residências, com foco principal nos dormitórios. Ao contrário de soluções que exigem alterações estruturais ou redução na capacidade de geração de energia dos parques eólicos, o dispositivo utiliza processamento digital de sinais sonoros em tempo real para modificar a percepção da modulação de amplitude. Essa oscilação rítmica gerada pela passagem das pás é apontada em relatos de moradores como o principal fator de incômodo e despertares precoces durante a madrugada.
Atualmente, o projeto encontra-se em fase de testes laboratoriais, simulações computacionais e aprimoramento de protótipos físicos desenvolvidos com tecnologia de impressão 3D. A equipe planeja iniciar um projeto-piloto com testes controlados em residências de voluntários no próximo ano de 2027, utilizando metodologias científicas que acompanham variáveis fisiológicas e padrões de repouso por meio de actigrafia e frequência cardíaca.
A inovação potiguar já tem ganhado repercussão acadêmica e no setor de inovação, tendo conquistado o primeiro lugar em um concurso nacional de ideias tecnológicas e sido apresentada recentemente em um simpósio internacional na Alemanha, que debateu a aceitação social e os impactos socioambientais da energia eólica. Com o suporte da Agência de Inovação da UFRN (AGIR), a tecnologia caminha para o registro de patente junto ao INPI, posicionando a pesquisa científica do estado em discussões globais sobre sustentabilidade energética e qualidade de vida.
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