“O sono é muito traiçoeiro. Aos poucos ele vai nos consumindo e a gente nem percebe”. É com a experiência de 18 anos trabalhando como taxista que Francisco Neto fala das dificuldades enfrentadas por quem resolve dirigir com sono. “Durante dez anos eu trabalhei à noite, rodava 24 horas direto, agora não consigo mais. O trânsito deixa a gente muito cansado. Taxista, quando tira um dia de folga, só quer saber de dormir”, conta.
Limite
Quem conhece bem as dificuldades de dirigir a noite e com sono é o caminhoneiro Apolônio da Silva. Há 11 anos na estrada, ele assume que já chegou a dormir enquanto dirigia. “Já cheguei a cochilar algumas vezes. Quando percebi, estava saindo da pista e só fiz retornar rápido”. A saída, nessas ocasiões, é tentar driblar o cansaço. “Quando isso acontece, eu tento parar e descansar, é quando sei que já estou chegando no meu limite”, diz.
Ele, assim como milhares de motoristas, também recorre ao famoso cafezinho. “Paro uns dez minutos, tomo um café, um energético. Dá para despertar um pouco e andar mais uns quilômetros”, conta Apolônio.
Os energéticos são um dos métodos mais utilizados por alguns condutores quando começam a ficar com sono. “Muitos motoristas tomam ‘rebite’, que é uma mistura de remédio com refrigerante ou outra bebida. Mas isso é uma ilusão de achar que vai ficar acordado. Eu costumo dizer que para o sono só tem um remédio, que é a cama”, afirma Francisco.
De acordo com a neurologista Helena Feio, cada ser humano tem uma necessidade de sono, de acordo com a faixa etária. As crianças, por exemplo, precisam dormir mais que um adulto. “O mínimo que uma pessoa precisa é de 8 horas de sono por dia. Até 6 horas é tolerável, menos que isso a pessoa já começa a ter perdas no dia a dia”, revela.
Fadiga
Quando a pessoa não consegue dormir o necessário, o corpo começa a apresentar sinais de cansaço. “O organismo entra em fadiga e há alterações, como a atenção, que fica menor, os reflexos, que ficam mais lentos, e a concentração, que diminui bastante”.
No trânsito, isso pode resultar em acidentes. “Além de o motorista correr o risco de cochilar, ele vai estar menos atento e pode avançar sinais de trânsito. Como os reflexos vão estar diminuídos, ele pode não conseguir agir em situações de emergência, como desviar de buracos”, afirma.
A utilização dos remédios e energéticos também são totalmente contraindicados pelos médicos. “Essas misturas de remédios são estimulantes e fazem com que o organismo tenha necessidade de menos sono, mas não ‘recarrega as baterias’, só diminui naquele momento a sensação de sono. Isso mascara o cansaço físico, mas não o mental”, alerta.
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