O Carnaval de Natal se despediu em clima de festa e arquibancadas lotadas. Na noite de sábado (21), o bairro da Ribeira recebeu o maior desfile de escolas de samba já realizado na cidade. Sete agremiações da Série A cruzaram a avenida Duque de Caxias diante de um público estimado em mais de 6 mil pessoas, fechando a programação com brilho e muita animação.
A estrutura montada chamou atenção. Duas arquibancadas acomodaram mais de mil espectadores, enquanto milhares acompanharam o desfile ao longo da avenida, mantendo viva uma tradição que começou em 1930. Entre os espaços reservados estavam áreas para imprensa, público com deficiência, jurados e o palanque oficial. Painéis de LED transmitiram cada detalhe da passagem das escolas.
Entre os foliões, a animação era visível. A aposentada Maria das Dores, de 85 anos, acompanha os desfiles há três décadas. “Não deixo de vir. E este ano está ainda melhor, mais confortável”, contou, ao lado da filha e dos netos. A dona de casa Iara Soares também levou a família inteira — até um primo de seis meses. “Aqui cada um torce por uma escola, mas é tudo na brincadeira”, disse.
Emoção e disputa na avenida
A abertura ficou por conta da Batuque Ancestral, recém-chegada à Série A após vencer o Grupo B em 2025. Com o enredo “Kemet: afrocentricidade e conhecimento, batuque é luta contra o apagamento”, a escola destacou raízes e resistência afroancestral.
Em seguida, a Águia Dourada, do bairro do Alecrim, entrou na avenida tentando repetir o título conquistado em 2020. Com o tema “No fim a festa começa: a morte vira alegria”, levou ao público uma reflexão sobre como diferentes culturas encaram a morte.
A Acadêmicos do Morro emocionou a plateia ao pedir um minuto de silêncio em homenagem a Erides Santana, uma das fundadoras da escola. Depois, apresentou o enredo sobre o município de Messias Targino, exaltando o sertão potiguar.
A Asas de Ouro, representante da Zona Norte, trouxe “Ielmo Marinho: coração verde do meu Potengi”, homenageando o município do interior. Já a tradicional Balanço do Morro celebrou seus 60 anos de história com o enredo “Sob a lona do tempo, sou o riso dessa gente!”, contando a trajetória do circo e buscando o 29º título.
Única escola fora da capital, a Império do Vale, de Ceará-Mirim, levou para a avenida uma homenagem à educadora e vereadora Leonor Soares.
Encerrando a noite já na madrugada, às 4h20, a atual campeã Malandros do Samba entrou na avenida ainda com bom público presente. Misturando samba e forró, apresentou o enredo “Quando o samba acende a fogueira, a Malandros celebra os 28 anos do Arraial Coração Nordestino”, na tentativa de conquistar o 38º título.
A apuração das notas será realizada nesta quarta-feira (25). Já o tradicional ritual simbólico das Tribos Indígenas acontece este ano de forma especial na rótula da Avenida da Alegria, na Redinha, a partir das 17h.
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