Durante décadas, o Nordeste foi associado à seca, à escassez de água e às limitações para a produção no campo. O cenário atual, porém, revela uma realidade diferente nas propriedades rurais da região. Com investimento em manejo, adaptação ao Semiárido, o Nordeste consolidou-se, em 2015, como a terceira maior região produtora de leite do Brasil, à frente das regiões Norte e Centro-Oeste.
Dados oficiais do IBGE 2024/2025 indicam que a produção leiteira nordestina supera 5,5 bilhões de litros por ano. O resultado é atribuído ao esforço de milhares de produtores que aprenderam a conviver com as condições climáticas do Semiárido e a aprimorar seus sistemas produtivos.
A atividade está presente em todos os estados da região, como Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Maranhão, evidenciando que o crescimento não se concentra em um único polo produtivo.
No sertão, considerado por muitos como inviável para a pecuária leiteira, há propriedades com vacas produzindo até 72 litros de leite por dia. Um dos exemplos citados é o do produtor Marciel Rufino, de Tenente Laurentino Cruz (RN). Ele saiu de uma produção anual de 1.200 litros para mais de 131 mil litros por ano, mantendo entre 14 e 15 vacas em lactação, em uma área de pouco mais de três hectares.
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil conta com mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite e as projeções do agronegócio da Secretaria de Política Agrícola, estimam que, para 2030, irão permanecer os produtores mais eficientes, que se adaptarem à nova realidade de adoção de tecnologia, melhorias na gestão e maior eficiência técnica e econômica.
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