Crescimento de carros elétricos no Brasil expõe falta de profissionais para manutenção


Dolphin Mini, da BYD, é o modelo elétrico mais vendido no País - Foto: Divulgação/BYD


O avanço dos veículos elétricos no mercado automotivo brasileiro tem evidenciado um desafio estrutural: a escassez de profissionais qualificados para realizar manutenção nesses modelos. O aumento da frota tem ocorrido em ritmo mais acelerado do que a formação técnica necessária para lidar com as novas tecnologias.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 223 mil novos emplacamentos de veículos movidos a bateria, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O crescimento da demanda, no entanto, pressiona o sistema de assistência técnica, que ainda conta com poucos especialistas na área.

O cenário representa um desafio principalmente para oficinas independentes, responsáveis por grande parte dos serviços de reparação no país. Diferentemente dos veículos com motor a combustão, os elétricos exigem conhecimento específico em sistemas de alta tensão, eletrônica de potência e diagnósticos digitais avançados.

Entre os componentes que demandam maior qualificação estão as baterias de tração, inversores e softwares embarcados. Esses sistemas requerem procedimentos técnicos rigorosos e protocolos de segurança mais complexos durante a manutenção.

Segundo Alexandre Xavier, representante do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), o setor enfrenta um descompasso entre a velocidade da evolução tecnológica e a capacitação da mão de obra. De acordo com ele, a complexidade dos novos sistemas, como módulos de gerenciamento de bateria e controle térmico, exige treinamento contínuo dos profissionais.

Enquanto programas de qualificação ainda avançam gradualmente, a manutenção especializada segue concentrada em concessionárias e em um número reduzido de oficinas com estrutura adequada. A situação tende a elevar os custos dos reparos e aumentar o tempo de espera para atendimento.
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