Um dos caminhões mais emblemáticos da história da indústria automotiva brasileira teve a produção interrompida no Irã em meio à escalada do conflito envolvendo o país e os Estados Unidos. Trata-se do Mercedes-Benz L-1113, conhecido popularmente como “Muriçoca”.
Lançado no Brasil em 1964 pela Mercedes-Benz, o modelo se tornou líder de vendas no transporte de carga nas décadas de 1970 e 1980. O apelido veio do formato da cabine, marcado pelo grande para-brisa bipartido e pelas janelas amplas, que garantiam excelente visibilidade, um diferencial importante para a época.
O L-1113 também ficou conhecido pela robustez mecânica, facilidade de manutenção e resistência em estradas de terra, comuns no Brasil daquele período. Por isso, virou preferência entre caminhoneiros e frotistas, sendo amplamente utilizado no transporte de alimentos, materiais de construção e cargas agrícolas.
A produção no Brasil foi encerrada em 1989, mas o caminhão continuou vivo no exterior. No Irã, ele passou a ser fabricado sob licença pela Iran Khodro Diesel, com o nome LK 2624. Apesar de manter o desenho original da década de 1960, o modelo recebeu diversas atualizações técnicas ao longo dos anos.
Nos últimos anos de fabricação no Brasil, o L-1113 contava com motor Daimler de 130 cavalos, câmbio manual de cinco marchas e capacidade para transportar até 11 toneladas. Já a versão iraniana evoluiu significativamente: ganhou motor de 280 cavalos, freios ABS, direção hidráulica, melhorias na suspensão e itens de conforto como aquecedor de cabine. A capacidade de carga também aumentou, chegando a 19 toneladas.
Além de atender o mercado interno iraniano, o caminhão é exportado para países da África e do Oriente Médio, como Costa do Marfim, Sudão, Egito, Líbia, Senegal, Iraque e Afeganistão, onde a simplicidade mecânica e a durabilidade continuam sendo atrativos importantes.
Mesmo décadas após o fim da produção no Brasil, o “Muriçoca” permanece como um símbolo da era de ouro do transporte rodoviário nacional, e prova de que um projeto bem-sucedido pode atravessar gerações e fronteiras.
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