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| Petrobras diz que importadores privados estão desviando diesel que viria para o país - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil |
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (18), que importadores privados de combustíveis estão desviando para outros países navios contratados, inicialmente, para abastecer o Brasil.
A estratégia, diz ela, tem criado incertezas sobre o abastecimento nacional após o início da guerra no Irã. A estatal, afirmou Magda, tem feito "das tripas coração" para ampliar a produção do combustível em suas refinarias.
"A inteligência competitiva da Petrobras monitorou seis navios de terceiros direcionados ao Brasil. Alguns chegaram até perto de portos brasileiros e tiveram os seus destinos desviados", disse Magda em evento no Rio de Janeiro.
A presidente da Petrobras insinuou que o desvio dos navios ocorreu porque os proprietários da carga buscaram mercados com maiores preços nesse momento de escassez global do produto. Disse ainda que a petroleira tem tomado medidas para garantir o abastecimento, mas tem capacidade limitada de importação.
Na abertura do mercado desta quarta, o diesel vendido pelas refinarias da Petrobras custava R$ 2,15 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom. Na gasolina, a diferença era de R$ 1,33 por litro.
"Nossa capacidade de importação não atende toda a demanda do Brasil. Isso é bom que se diga. Por que isso aconteceu? Porque o Estado brasileiro, num determinado momento, decidiu que a Petrobras não ficaria sozinha nesse mercado", afirmou.
Nesta quarta, entidades ligadas à distribuição e importação de combustíveis enviaram carta ao governo pedindo aumento do preço do diesel, sob a justificativa de que os preços atuais, defasados em relação ao mercado internacional, tornam as importações inviáveis economicamente.
"O caminho mais sustentável para o setor passa pelo equilíbrio de preços com o mercado internacional, pela previsibilidade regulatória, pela concorrência saudável e por políticas que assegurem o equilíbrio entre oferta e demanda", escreveram.
O texto, assinado pela Abicom, IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) e Brasilcom (federação que representa distribuidoras de combustíveis de médio porte), diz que o reajuste anunciado pela Petrobras na semana passada "é uma resposta parcial" ao problema.
O Sindicom, que representa as grandes distribuidoras, também enviou carta ao governo cobrando a continuidade dos leilões de volumes adicionais pela Petrobras, como medida para garantir o abastecimento nacional.
As empresas dizem que vêm observando aumento da demanda, ao mesmo tempo em que a estatal corta cotas de fornecimento e nega pedidos adicionais do mercado. É grande a preocupação no mercado com o abastecimento em abril.
Na terça (17), a estatal comunicou ao mercado cancelamento de leilões de combustíveis que realizaria neste início de semana. Magda disse nesta quarta que a empresa decidiu reavaliar o cenário antes de colocar mais produtos à venda.
A estatal diz que vem entregando ao mercado volumes 15% superiores aos contratados e adiou paradas para manutenção em refinarias para garantir o abastecimento enquanto durar a guerra.
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