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| Servidores prestavam orientações estratégicas ao Banco Master sobre processos administrativos e regulatórios em tramitação no BC - Foto: Agência Brasil |
Dois servidores de carreira do Banco Central (BC) foram afastados por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A etapa da operação também resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Foram afastados Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária.
De acordo com as investigações, os dois são suspeitos de atuação irregular na supervisão do Banco Master antes da liquidação da instituição, decretada no fim de 2025, após o agravamento de sua crise financeira.
Na decisão que autoriza a operação da PF, Mendonça descreve os funcionários do Banco Central como uma espécie de consultores privados que trabalhavam como empregados de Vorcaro.
Segundo as investigações, os servidores prestavam orientações estratégicas ao Banco Master sobre processos administrativos e regulatórios em tramitação no Banco Central, além de revisar e sugerir alterações em documentos encaminhados pela instituição à autarquia.
As apurações indicam ainda que eles teriam repassado informações sigilosas para que Daniel Vorcaro pudesse se antecipar a eventuais medidas do Banco Central, bem como utilizado sua influência interna para favorecer o banco na análise de processos e para contornar entraves regulatórios.
Em troca, segundo a investigação, teriam recebido vantagens indevidas, pagas por meio de terceiros e disfarçadas em contratos simulados.
Além do afastamento de suas funções, Mendonça determinou que os funcionários do BC sejam proibidos de acessar as dependências da instituição e usem tornozeleira eletrônica.
Ambos estão proibidos de manter contato com outros investigados na Operação Compliance Zero e terão que entregar seus passaportes à Polícia Federal.
As defesas de Paulo Sérgio Neves de Sousa e Bellini Santana não foram localizadas.
Segundo a apuração, o próprio Banco Central já havia aberto um processo interno, antes de novembro de 2025, para investigar a conduta dos dois servidores.
Antes mesmo da decisão de Mendonça desta quarta, os dois já haviam sido afastados administrativamente de funções no Banco Central no início de 2026, conforme portarias publicadas no Diário Oficial da União.
Após a apuração administrativa, as informações foram repassadas à Polícia Federal, que conduz a investigação criminal sobre o caso Master.
O Banco Central tem limitações legais para adotar medidas como quebra de sigilo. Por isso, ao identificar indícios de irregularidades, encaminhou o material às autoridades responsáveis pela persecução penal.
Com a nova fase da operação, a Justiça determinou agora o afastamento cautelar dos cargos públicos dos dois servidores no âmbito da investigação criminal.
Os dois servidores são de carreira e não foram exonerados. O afastamento é cautelar e foi determinado pela Justiça no âmbito da operação.
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