Justiça francesa considera Airbus Air France culpadas por tragédia que matou 228

Tribunal condena Air France e Airbus por acidente em 2009 - Foto: Reprodução

A Justiça francesa considerou, nesta quinta-feira (21), a Airbus e a Air France culpadas por homicídio culposo, pelo caso acidente aéreo do voo Rio-Paris, que matou 228 pessoas em 2009.

As empresas foram condenadas ao pagamento da multa máxima de € 225 mil cada, o que equivaleria a cerca de R$ 1,3 milhão.

O veredito é o mais recente marco em uma maratona jurídica de 17 anos, envolvendo duas das empresas mais emblemáticas da França e familiares das vítimas, em sua maioria francesas, brasileiras e alemãs. Advogados franceses preveem novos recursos à Suprema Corte do país.

Em abril de 2023, ambas haviam sido absolvidas na primeira instância, embora, a Justiça tenha reconhecido falhas e negligência das companhias.

Na época, os juízes concluíram que houve “imprudência” e “negligência”, mas afirmaram não ser possível estabelecer um vínculo causal “certo” entre as falhas e a queda da aeronave.

No entanto, durante o novo julgamento realizado no segundo semestre de 2025, o Ministério Público francês mudou de posição e passou a defender a condenação da Air France e da Airbus. Segundo os promotores, os erros cometidos pelas empresas foram “claros” e “certamente contribuíram” para o acidente.

O que aconteceu com o voo AF447?

O voo AF447, da Air France, partiu do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, na noite de 31 de maio de 2009, com destino a Paris. A aeronave, um Airbus A330, levava 216 passageiros e 12 tripulantes.

Cerca de quatro horas após a decolagem, o avião sobrevoava uma área de fortes tempestades no Oceano Atlântico, próxima à Linha do Equador, quando os sensores Pitot - responsáveis por medir a velocidade da aeronave - apresentaram falha após congelarem.

Com a perda das informações de velocidade, o piloto automático foi desativado, obrigando os pilotos a assumirem o controle manual do avião.

As investigações do BEA apontaram que, diante da pane, o copiloto Pierre-Cédric Bonin realizou uma manobra inadequada, ao elevar, excessivamente, o nariz da aeronave. A ação fez o avião perder sustentação e entrar em estol aerodinâmico, condição em que as asas deixam de gerar sustentação suficiente para manter o voo.

Sem conseguir recuperar o controle, o Airbus caiu cerca de 11,5 quilômetros em aproximadamente três minutos e meio, até atingir o oceano Atlântico.

As caixas-pretas foram localizadas apenas em maio de 2011, a quase 4 mil metros de profundidade. Os áudios da cabine registraram momentos de tensão entre os pilotos nos minutos finais do voo. Em uma das gravações, um deles afirma: “Não tenho mais controle do avião”.
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