EUA sinalizam novo tarifaço contra produtos brasileiros, mas admitem ampliar lista de exceções

 Foto: Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images


O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou a integrantes do governo Lula que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Apesar disso, ele indicou que a lista de itens isentos poderá ser ampliada.

Durante a última rodada de negociações entre Brasil e Estados Unidos, realizada nesta terça-feira (14), Greer afirmou que as tratativas estavam encerradas e criticou o que considerou falta de empenho do governo brasileiro, segundo relatos obtidos pela CNN.

As declarações foram contestadas imediatamente por representantes brasileiros, entre eles o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e os embaixadores Mauricio Lyrio, negociador do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

As autoridades brasileiras questionaram a base técnica das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a investigação aberta no âmbito da Seção 301. Entre os pontos levantados pelos americanos estão acusações relacionadas ao aumento do desmatamento no Brasil, argumento rebatido pelo governo brasileiro, que citou dados recentes sobre a redução dos índices na Amazônia.

Durante a reunião, os representantes brasileiros também lembraram que uma proposta envolvendo a redução das tarifas de importação sobre o etanol americano, em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos, não avançou porque o USTR descartou a possibilidade de acordo.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, Greer afirmou que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções para as novas tarifas, sinalizando que o modelo não deve seguir o mesmo caminho das medidas adotadas em 2025, quando houve ampliação gradual dos produtos livres de taxação.

Ainda assim, o representante americano disse ter considerado os argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro em defesa de uma maior quantidade de exceções já no anúncio inicial do tarifaço.

Um dos principais pontos apresentados pelo Brasil foi a relação entre empresas dos dois países. Autoridades brasileiras destacaram que muitas companhias americanas possuem operações no Brasil e exportam peças e componentes produzidos no país para suas próprias matrizes nos Estados Unidos.

A avaliação do governo Lula é de que o argumento teve boa receptividade entre os negociadores americanos, aumentando a expectativa de que mais produtos industrializados possam ficar fora da nova cobrança.

Atualmente, a previsão é de que o tarifaço alcance cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. O governo brasileiro, porém, trabalha para reduzir esse impacto por meio das negociações.

Ao final do encontro virtual, Greer indicou que o canal de diálogo entre os dois governos continuará aberto. Antes do encerramento, representantes brasileiros reforçaram a disposição para seguir negociando.  

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