| Vacinas são testadas para previnir câncer Foto: Pexels Frank Meriño |
Pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido estão avançando no desenvolvimento de vacinas que podem ajudar a prevenir o câncer de intestino em pessoas com síndrome de Lynch, uma condição genética hereditária que aumenta significativamente o risco de tumores colorretais e outros tipos de câncer. A estratégia busca agir antes que lesões pré-cancerosas evoluam para a doença, ampliando o alcance da prevenção além do rastreamento tradicional.
O tema ganhou destaque após o caso da médica americana Stacy Norton, que perdeu a mãe para o câncer de intestino ainda na infância e hoje participa dos estudos. Ela faz parte do grupo de cerca de 1 milhão de americanos com síndrome de Lynch e, como muitos pacientes, precisou adotar um acompanhamento rigoroso com colonoscopias frequentes ao longo da vida.
A síndrome de Lynch ocorre quando genes responsáveis por corrigir falhas no DNA deixam de funcionar corretamente, o que favorece o acúmulo de mutações capazes de desencadear tumores. Embora a doença afete uma parcela pequena da população, o risco de câncer colorretal pode chegar a 80% entre os portadores, dependendo do gene alterado. Além do intestino, a condição também eleva as chances de câncer de endométrio, pâncreas, estômago, ovário e outros tumores.
Nos estudos iniciais, uma vacina experimental desenvolvida pela empresa suíça Nouscom foi aplicada em 44 voluntários com síndrome de Lynch. Os primeiros resultados indicaram aumento da resposta de células de defesa e redução de lesões pré-cancerosas em parte dos participantes, o que animou os pesquisadores a planejar uma etapa maior de testes.
Outras frentes de pesquisa também estão em andamento. Cientistas da Universidade de Oxford começaram a testar uma vacina baseada em RNA mensageiro, tecnologia semelhante à usada em imunizantes contra a Covid-19, enquanto outra vacina, desenvolvida pela empresa ImmunityBio, aguarda resultados de um estudo comparativo com placebo. A expectativa é entender se essas abordagens podem reforçar a prevenção em pessoas com alto risco hereditário.
Apesar do otimismo, especialistas ressaltam que a vacina ainda está em fase experimental e não substitui o acompanhamento médico. Para a população em geral, as recomendações seguem priorizando exames de rastreamento a partir dos 45 anos, além da atenção a sintomas como sangue nas fezes, mudanças persistentes no intestino, dor abdominal e perda de peso sem explicação.
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