O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou publicamente que não há espaço para a violência no país e prometeu que todos os responsáveis pelos atos de vandalismo e incitação à desordem serão levados à Justiça. As declarações foram feitas no final do sábado (17) após uma nova onda de protestos contra o aumento do custo de vida e a inflação galopante, que mobilizou meio milhão de pessoas pelo território francês e resultou em intensos confrontos com as forças de segurança, incêndios e dezenas de estabelecimentos comerciais saqueados.
A escalada da insatisfação popular, que se arrasta há semanas a partir de mobilizações estudantis, amplia a incerteza política no país a seis meses do pleito eleitoral que definirá o sucessor de Macron. Em pronunciamento nas redes sociais, o chefe do Executivo repudiou os ataques dirigidos às prefeituras e comércios locais, prestando solidariedade às forças policiais e classificando os grupos violentos como instigadores do caos, cujo objetivo central seria desestabilizar as instituições e prejudicar as manifestações pacíficas.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, também condenou a gravidade das ocorrências e ressaltou que recursos públicos limitados não poderão custear indefinidamente os prejuízos materiais causados na infraestrutura das cidades. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 550 mil pessoas participaram das marchas em todo o país — com estimativas sindicais apontando até 800 mil manifestantes —, resultando em aproximadamente 400 prisões e graves incidentes, como a amputação da mão de um manifestante atingido por uma granada policial em Saint-Étienne.
Em diversas regiões, prédios municipais e complexos policiais foram invadidos e depredados, como ocorreu nas cidades de Marselha, Lille, Lyon, Bordeaux e Limoges, além da destruição de vitrines e lojas em Paris. Diante do rastro de devastação deixado em vias centrais e do avanço das hostilidades contra o contingente policial, o governo francês reforçou o apoio operacional às tropas de contenção para restaurar a ordem pública e conter novos episódios de depredação no país.
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