PF investiga suposta fuga de Flávio Bolsonaro; governo argentino nega entrada do senador após proibição de deixar o Brasil

Foto: Reprodução/ Pablo Porciuncula AFP


A Polícia Federal (PF) instaurou uma apuração emergencial para monitorar pontos de fronteira e conferir os registros de voos internacionais após rumores de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos. A mobilização da corporação ocorre após publicações da imprensa internacional apontarem para uma suposta travessia do parlamentar pela Argentina, poucas horas depois de ter os passaportes cancelados e ser proibido de se ausentar do país por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

​De acordo com checagens preliminares feitas pelos órgãos de fiscalização brasileiros, não há registro formal da passagem de Flávio por nenhum posto migratório regular do país.

​Governo argentino nega entrada e rastreamento de voo

​A suspeita teve início após o veículo argentino Infobae noticiar que o senador teria cruzado a fronteira terrestre usando apenas a carteira de identidade, modalidade permitida pelo acordo do Mercosul, e pretendia embarcar em um jato privado a partir do aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones.

​Contudo, a Casa Rosada e o governo de Javier Milei negaram categoricamente a informação nesta terça-feira (27). O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, e autoridades locais confirmaram que não existem registros de ingresso de Flávio Bolsonaro em território argentino, tampouco planos de voo aprovados para a família do parlamentar ou decolagem de aeronaves privadas com destino aos Estados Unidos. Dados de plataformas de monitoramento aéreo indicam que a aeronave citada nas matérias permanece em solo argentino.

​Versões contraditórias entre aliados

​No ambiente político, aliados do senador apresentam versões divergentes sobre o seu paradeiro. O coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), além de integrantes da equipe de segurança do parlamentar, garantem que Flávio permanece em sua residência no Brasil e não deixou o país.

​Por outro lado, interlocutores do meio político chegaram a sinalizar à imprensa que um plano de deslocamento teria sido traçado de forma sigilosa após o resultado das urnas. A assessoria oficial de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou formalmente sobre o assunto.

​Restrições judiciais e determinação do STF

​A polêmica ocorre no momento em que expira o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que o parlamentar entregue todos os seus passaportes (comum, diplomático e eventuais documentos estrangeiros) à Polícia Federal. A decisão, tomada na noite de domingo (25) e divulgada na segunda-feira (26), impôs o cancelamento das documentações e proibiu o senador de deixar o Brasil ou manter contato com investigados.

​Em manifestação divulgada em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou as medidas como uma tentativa de intimidação, mas assegurou que cumpriria a ordem judicial. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender”, afirmou o senador, que alega ser alvo de perseguição política após o término do pleito presidencial.


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