Se hoje as versões verdadeiramente esportivas de modelos mais comuns são raras, antes da virada do milênio elas eram praticamente essenciais para o sucesso da linha de algum carro. É o caso do Peugeot 306 GTi, que elevava à potência máxima o já bom comportamento das versões civis. Com 167 cv extraídos de um 2.0 16V, ele deixava para trás rivais como o então recém lançado Audi A3 1.8T, com 150 cv de seu 1.8 turbo. Veja nossa avaliação, publicada em 22/12/1998, nas palavras do repórter Glauco Lucena.
306 GTi merece ser chamado de esportivo
Modelo da Peugeot recebeu modificações que deixaram seu motor apimentado
Para quem gosta de versões esportivas de carros de passeio, o Peugeot 306 GTi é a opção certa. Ao contrário de outros carros que ganham roupagem esportiva mas mantêm o motor comportado, esse francês corresponde totalmente ao visual arrojado. O preço (R$ 43,99 mil) não é muito convidativo, mas, como a Peugeot tem tabela em real, ele está ficando mais competitivo diante dos concorrentes cobrados em dólar.
Debaixo do capô encontra-se um motor 2.0 de 16 válvulas que poderia passar despercebido. Afinal, não possui turbocompressor, como alguns concorrentes do segmento. Mas ele desenvolve 167 cavalos, com torque máximo de 20 mkgf a 5.500 rpm. A título de comparação, o concorrente Audi A3 Turbo 1.8 rende 150 cv.
O segredo desse desempenho são modificações feitas no cabeçote, dutos e câmaras de combustão para melhorar o enchimento. Todas as válvulas têm diâmetro de haste menor, o que possibilita aberturas e fechamentos mais rápidos. As de escape têm 1 mm a mais de diâmetro, proporcionando ganhos de massa.
No bloco do motor, as mudanças estão nos pistões, na taxa de compressão, nas bielas alongadas (para reduzir atritos) e na bomba de óleo projetada para atender ao aumento de desempenho.
Esse propulsor apimentado foi acoplado a uma caixa de câmbio de seis marchas à frente, desenvolvida para manter o giro do motor na faixa de maior torque. Na prática, o carro fica muito mais rápido nas respostas a acelerações e retomadas de velocidade. De acordo com o fabricante, o 306 GTi acelera de 0 a 100 km/h em 8,8 segundos e chega a 218 km/h. Em terceira marcha ele é capaz de chegar a 130 km/h.
A sexta marcha é a que apresenta a condição mais econômica. Rodando em circuito urbano ele fez 8,7 km/l, o que não deixa de ser um bom resultado para uma versão esportiva. O ar-condicionado tirou um pouco da agilidade do carro no trânsito, mas não prejudicou muito o consumo, que ficou um 8,3 km/l.
Alguns elementos da suspensão foram modificados para aumentar a sensação de esportividade ao volante. Molas e amortecedores foram recalibrados para aumentar a rigidez do conjunto e garantir maior estabilidade nas curvas. Contribuem para isso as rodas com aro de 15 polegadas e pneus mais altos e largos que no restante da linha 306.
As outras mudanças são as de praxe em versões esportivas, como adoção de saias laterais, spóiler traseiro, antena no teto, escapamento cromado, teto solar com comando elétrico e pára-choques e retrovisores pintados na cor da carroceria. Por dentro, bancos, volante e alavanca de câmbio são revestidos de couro.
Para frear o ímpeto desse esportivo, a Peugeot o equipou com freios a disco nas quatro rodas (ventilados na dianteira) e sistema antitravamento ABS. Bolsas infláveis para os dois ocupantes da frente são itens de série, assim como terceira luz de freio e luzes de neblina traseiras e dianteiras.
Por meio da regulagem de altura e do ajuste lombar é possível encontrar uma boa posição de dirigir. O problema é o acesso às alavancas de ajuste do assento, que ficam espremidas entre o banco e a porta. O volante pode ser ajustado em altura, mas não em profundidade. O espaço no banco traseiro é limitado, sobretudo se houver pessoas altas nos bancos dianteiros. Não se recomenda levar mais de duas pessoas atrás, pois quem viajar no meio sofrerá com a falta de espaço para as pernas e a proximidade da cabeça com o teto.
A falta de espaço para guardar objetos é outro problema dessa versão do 306, sobretudo porque o porta-luvas é sacrificado pela bolsa inflável. Outro problema verificado foi em relação ao sistema de som. O equipamento é de boa qualidade, mas não memoriza os comandos. Resultado: cada vez que liga o carro o motorista precisa ajustar volume, graves e agudos.
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