Um surto de bicho-de-pé tem preocupado moradores do assentamento Luiz Beltrame, no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal. Cerca de 100 crianças e adolescentes da comunidade foram diagnosticados com tungíase, doença causada pela infestação de uma pequena pulga na pele e que pode provocar dor, inflamação e infecções graves quando não tratada adequadamente.
A situação levou à realização de uma ação emergencial de saúde no último sábado (4), reunindo médicos, voluntários e entidades sociais para atender os moradores da comunidade. A mobilização foi organizada após voluntários identificarem a quantidade elevada de casos na região.
O projeto Pediatria Itinerante, que realiza atendimentos periódicos em áreas de vulnerabilidade social, promoveu uma edição especial voltada ao diagnóstico e tratamento da doença. Durante a ação, 11 médicos atenderam crianças e adolescentes em uma escola municipal da região.
Segundo a coordenadora do projeto, Beatriz Jucá, a gravidade dos casos encontrados motivou a mobilização.
“Muitas crianças apresentavam bicho-de-pé, algumas com cerca de 30 a 40 lesões. É uma pulga muito pequena, que forma uma espécie de bolsa na pele e provoca muita dor. Quando vimos a situação, decidimos ajudar com médicos e tratamento”, afirmou.
A tungíase é causada pela pulga Tunga penetrans, encontrada principalmente em solos arenosos e locais com presença de animais. O parasita costuma se instalar nos pés e provoca coceira intensa, dor e inchaço. Em casos mais graves, pode causar infecções bacterianas e outras complicações.
Médico alerta para risco de complicações
O pediatra Francisco Mikussi explicou que, apesar de muitas pessoas considerarem o bicho-de-pé um problema simples, a doença pode evoluir para quadros graves.
“Nessas situações de maior dimensão, existem riscos importantes, como infecções bacterianas secundárias e até transmissão de tétano em crianças que estejam com vacinação incompleta. Nosso objetivo é identificar os casos mais graves e encaminhá-los adequadamente”, afirmou.
Segundo o médico, as lesões provocadas pelo parasita podem infeccionar rapidamente e, em situações extremas, levar à necessidade de internação.
Prevenção
Entre as principais medidas para evitar a tungíase estão:
- evitar andar descalço em áreas contaminadas;
- manter ambientes limpos;
- cuidar da saúde dos animais domésticos;
- procurar atendimento médico ao perceber os primeiros sintomas;
- não retirar o parasita em casa sem orientação profissional.
Durante a ação, além do atendimento médico, as famílias receberam orientações sobre higiene e prevenção. As crianças também receberam sandálias para reduzir o risco de novas infecções.
“Eles conseguiram doações de sandálias porque muitas crianças, mesmo após o tratamento, acabam sendo reinfectadas por não terem um sapato adequado”, explicou Beatriz Jucá.
A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que realiza ações periódicas de saúde no assentamento Luiz Beltrame e afirmou que uma nova atividade com equipes do Distrito Sanitário Norte II está prevista para ocorrer ainda neste mês na comunidade.
A pasta disse ainda que não tinha conhecimento prévio sobre o aumento dos casos de tungíase no local, mas acompanha a situação junto às equipes de saúde.