As apostas online provocam um impacto estimado em R$ 30,6 bilhões por ano para o Sistema Único de Saúde (SUS), segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), realizado em parceria com a Frente Parlamentar da Saúde Mental e a Umane. O cálculo considera despesas e perdas relacionadas a depressão, outros transtornos emocionais e mortes por suicídio.
De acordo com o levantamento, cerca de R$ 17 bilhões estão associados às mortes por suicídio. Outros R$ 13,4 bilhões correspondem à depressão, incluindo perdas na qualidade de vida e custos com tratamento médico. O estudo estima ainda que o impacto total das bets na sociedade, somando desemprego, perda de moradia e outros problemas, pode chegar a R$ 38,8 bilhões anuais.
A procura por atendimento de saúde mental aumentou 140% nos últimos cinco anos entre pessoas com problemas relacionados a apostas e jogos de azar. Apesar do tamanho do prejuízo, apenas 1% da arrecadação das empresas de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para enfrentar essas consequências.
Para responder à demanda, o Ministério da Saúde ampliou, em agosto, o serviço de atendimento remoto pelo aplicativo Meu SUS Digital. A capacidade passou de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, com suporte psicológico para jogadores e familiares.
Outra medida é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite bloquear voluntariamente o CPF em sites de apostas autorizados. Mais de 5 milhões de CPFs já foram bloqueados, e mais de 1 milhão de usuários solicitaram a exclusão; quase metade relacionou o pedido a problemas de saúde mental.
Especialistas alertam que sinais como isolamento, mudanças de humor, endividamento e perda de controle exigem busca rápida por ajuda, sem julgamentos. O atendimento está disponível no SUS, em unidades básicas, Centros de Atenção Psicossocial e pelo Meu SUS Digital; grupos como Jogadores Anônimos e o CVV, pelo telefone 188, também oferecem apoio.
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