China prevê formação do "super El Niño" mais intenso da história no Oceano Pacífico

Autoridades alertam que o fenômeno será o mais forte da história, e provocará secas e chuvas intensas pelo mundo. Foto: Reuters/Juan David Duque



Meteorologistas do Centro Nacional de Clima da China alertaram nesta terça-feira para a formação do evento de "super El Niño" mais intenso desde o início das medições instrumentais no planeta. De acordo com informações apresentadas por autoridades do governo chinês durante coletiva de imprensa, o aquecimento anômalo das águas na região central e oriental do Pacífico equatorial teve início no mês de maio. A expectativa dos cientistas é de que os índices de temperatura da superfície do mar continuem subindo rapidamente ao longo dos próximos meses.

A projeção dos especialistas aponta que o pico de temperatura das águas oceânicas deve ocorrer por volta do mês de novembro, consolidando um fenômeno de magnitude inédita. O El Niño caracteriza-se pelo enfraquecimento dos ventos alísios, evento que ocorre ciclicamente em intervalos de dois a sete anos e resulta no represamento de águas mais quentes no setor oriental do Oceano Pacífico. O processo altera diretamente a circulação atmosférica global, com potencial de desencadear severas perturbações nos regimes de precipitação e temperatura em escala planetária.

Os efeitos do fenômeno climático já provocaram forte impacto durante a recente temporada de enchentes no território chinês e devem continuar influenciando o clima global nas próximas estações. As autoridades meteorológicas destacaram que o impacto do super El Niño se estenderá durante o outono e o inverno, mantendo desdobramentos sobre o comportamento do tempo até a primavera e o verão seguintes. O cenário prevê a ocorrência de secas extremas em determinadas regiões do globo, em contraste com tempestades e chuvas volumosas em outras áreas.

O alerta emitido por Pequim reforça a preocupação internacional com a elevação das temperaturas médias globais e a intensificação de eventos meteorológicos extremos. Além dos impactos diretos na infraestrutura urbana e na segurança da população, a perturbação nos padrões de chuva representa riscos para a produção agrícola global e a gestão de recursos hídricos. Governos e órgãos ambientais acompanham a evolução dos dados de monitoramento oceânico para preparar medidas de mitigação frente aos impactos previstos para os próximos meses.
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