| Lula comentou a classificação de facções brasileiras como terroristas durante agenda no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na sexta-feira, 18 de setembro, durante uma agenda no Rio de Janeiro, que não concorda com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para ele, os dois grupos são facções criminosas, mas o termo “terrorismo” não deve ser aplicado nesse caso.
A declaração ocorreu após o governo do presidente Donald Trump enviar ao Congresso americano um documento com críticas à atuação do Brasil contra o crime organizado. O texto afirma que o país não teria enfrentado adequadamente as duas facções e seria um ponto importante no fluxo internacional de cocaína.
O Ministério da Justiça brasileiro contestou as acusações. A pasta afirmou que o documento ignora operações realizadas contra o tráfico e o trabalho de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. O governo também destacou que o Brasil não aparece na lista americana dos principais países produtores ou rotas de trânsito de drogas.
Durante o discurso, Lula usou a expressão “terrorismo de Estado” para se referir à tentativa de manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022. O presidente relacionou o conceito aos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, em Brasília.
Lula também mencionou o plano investigado pela Polícia Federal que previa ataques contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o presidente, essas ações se enquadrariam como terrorismo de Estado, enquanto as facções criminosas aterrorizam moradores de regiões dominadas por seus grupos.
A fala ocorreu em meio à ampliação das operações conjuntas contra o crime organizado no Rio de Janeiro. Representantes das forças de segurança definiram a criação de planos integrados para combater o transporte de armas, drogas e cargas ilegais em importantes corredores logísticos.
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